domingo, dezembro 30, 2012

Os caminhos: Amanhecer

Ela não conseguiu dormir, não como pretendia, ficou ali, agarrada à ele sem saber se deveria acordá-lo ou não. Realmente não estava gostando da situação. Fato que deixou claro quando se levantou diversas vezes esperando que ele acordasse por si, mas não acordou. Ela já estava cansada de ficar esperando e na agonia do "chamo - não chamo" ela acabou adormecendo também.

Já era manhã quando ele despertou. Viu ela ali, aninhada em seus braços e a única coisa que lhe veio a cabeça foi: Obrigado por estar aqui. Como se fosse ironia, ele não queria acorda-la, e não o fez. Se desvencilhou dela e foi tomar um banho frio. Minutos após ter iniciado o banho, ela adentrou no banheiro, tirou a roupa fora do box sem que ele notasse sua presença, e ao entrar o abraçou; ele estava de costas e de subido tomou um susto. Ela, absorta em seu mundo apenas disse:


- Bom dia! Dormiu bem? - Como sempre, rapidamente ele se recuperou.
- Bom dia dorminhoca. Achei que fosse ficar lá pelo menos até o próximo ano. - Ele se virou para ela e sorriu. Ela, com o maior descrédito do mundo rebateu sua resposta tão logo quanto ele.
- O próximo ano é daqui a um dia. Ou vai me dizer que se esqueceu disso também?!

Ele não disse nada, apenas ficou em silêncio com o riso preso entre dentes encarando-a. Ela não sabia o que dizer diante da resposta que ele não deu e disse a si mesma que não iria quebrar o gelo. Passou um bom tempo com os dois ali, se encarando, com os olhares ardentes esperando o próximo passo. Como sempre, impaciente, ela bradou:

- Você vai ficar me encarando o dia todo? - Inconscientemente ela cruzou os braços.
- Não sei se você notou, mas já passaram algumas horas desde que o dia começou. - Ele não esperou uma reação por parte dela. - Descruze os braços e venha aqui.
- Não!
- Tudo bem, eu vou. - E com um sorriso que daria para iluminar toda uma metrópole, ele a puxou para perto e a abraçou. Os dois totalmente molhados embaixo do chuveiro sem saber o que mais dizer. Mas pelo que já se conheciam, eles não precisavam de palavras. Tomaram banho juntos por muito tempo e quando se deram conta, já era tarde.
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Ao final do dia, sentados a beira mar, eles contemplavam a imensidão azul do mar e o som tranquilizante das ondas. Como obra do acaso, ao cruzarem o olhar, disseram em uníssono:

- Obrigado por estar aqui comigo.

Ele a pegou pelas mãos e conduziu de volta para casa. Fazia frio, mas ela não reclamou, apenas se aconchegou em seu peito e deixou-o conduzi-la até o interior da casa. La dentro ele lhe disse:

- Vamos amor, um novo dia nos espera. - Ela acenou com a cabeça e seguiram para o conforto de sua cama. Logo dormiram e só vieram acordar no outro dia, junto ao seu explêndido amanhecer.

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