quarta-feira, fevereiro 19, 2014

A sociedade da alienação

Hoje cheguei à conclusão do que quase todos já sabemos, mas ignoramos. A alienação causada pela sociedade da informação mal administrada em nosso estado democrático. Sociedade da informação é um conglomerado de dogmas sobre os quais não temos certeza do que é certo ou errado segundo a prerrogativa de que todos tem acesso à informação, mas nem todos estão inseridos nela.

 Mas o que é real nisso tudo? Se te responder que “tudo é real”, neste âmbito, provavelmente me chamaria de louco, mas ponderemos; a sociedade da informação fica cada vez mais fortalecida pelo conceito de dimensão digital, onde o acesso à rede é quem dita o curso. Mesmo com o computador e internet sendo recentes, ainda assim existem conflitos de interpretação e muitas vezes a falha não está na informação que é transmitida, mas na forma como é interpretada pelo ouvinte.

É como disse Pessoa: “O universo não é ideia minha. A minha ideia do universo é que é ideia minha”. A alienação é culpa não da sociedade da informação, mas da cultura com a qual outrem foi dogmatizado e por mais que tentemos clarear essa escuridão, nada se desfaz da noite para o dia e convenhamos que é complicado competir onde a cultura boa tem menos espaço que cultura ruim. Exemplo disso são os programas socioeducativos financiados pelo Governo que são classificados como de primeira linha mundialmente, ocupando o topo dos melhores do gênero e, infelizmente, audiência zero, quando em contra partida os realities shows tem audiências monstruosas e um conteúdo tão deprimente que vemos a população aos prantos por “X” ou “Y” estarem no paredão.

Voltando à Pessoa, ele disse: “Metade de mim delira, metade de mim pondera”, e são poucos esses que o fazem, nós estamos delirando nesse caos e não esquecemos que a Internet foi o meio de comunicação que mais rapidamente se expandiu no mundo, mas também ouvimos falar a todo instante que muito pouca gente tem acesso a ela. Qual das duas informações é a correta? Em nosso cenário atual, ambas são corretas. Na sociedade da informação as noticiais são fragmentadas, não apenas porque ainda são poucos que tem acesso, mas devido aos vários meios que serão os transmissores da mesma.

Voltando à minha conclusão inicial, fiz algo idiota e egoísta, mas necessário para comprovar minha citação, removi minha data de aniversário das redes sociais, poucas semanas antes dela chegar. Para que fim? Exemplificar a alienação que nos torna reféns de ferramentas que podem falhar, e sempre falham.

Sete pessoas, incluindo minha mãe e dois irmãos, lembraram-se da data. Vivemos reféns do irreal. Hoje faço 24 anos e ainda tenho muitos HDs de história pela frente. 

Em breve explicarei essa historia de HDs.
Estou de volta!

sábado, fevereiro 23, 2013

Finja na hora rir


Arrepender-se é um dos sentimentos mais difíceis de ser assumido, dói na alma, trás a sensação de querer voltar no tempo e fazer tudo diferente, mas é absolutamente impossível e até mesmo desnecessário. 
Lidar com consequências e seguir em frente é o que temos que obrigatoriamente fazer todo o tempo se quisermos continuar crescendo. 

Mas, e quando seus medos te paralisam? E quando você comete um erro por cima de outro erro? E quando você se sente sozinho?
O mesmo imperativo de persistência grita de todos os lados, mesmo que tudo que você queira seja desistir.
As boas intenções nos subestimam, nós não nos reconhecemos, exigem que sejamos quem éramos e não quem estamos sendo. 
E quando a dor não tem palavras?  E quando você não consegue explicar o que está acontecendo com você? E quando você percebe que nunca esteve preparado para nada disso?
O mundo não se importa, você precisa vestir um belo sorriso no rosto todos os dias; cuidado ao mudar o figurino.

Ser otimista está na moda e negar as suas maiores fraquezas é a última tendência. 







quinta-feira, janeiro 03, 2013

"... e se perdeu em prantos tentando encontrar o amor que outrora teve medo de buscar. Ela partiu e ele ficou ali, em um fim de verão  frio, com as folhas secas aos seus pés..." I.C.A.

domingo, dezembro 30, 2012

Os caminhos: Amanhecer

Ela não conseguiu dormir, não como pretendia, ficou ali, agarrada à ele sem saber se deveria acordá-lo ou não. Realmente não estava gostando da situação. Fato que deixou claro quando se levantou diversas vezes esperando que ele acordasse por si, mas não acordou. Ela já estava cansada de ficar esperando e na agonia do "chamo - não chamo" ela acabou adormecendo também.

Já era manhã quando ele despertou. Viu ela ali, aninhada em seus braços e a única coisa que lhe veio a cabeça foi: Obrigado por estar aqui. Como se fosse ironia, ele não queria acorda-la, e não o fez. Se desvencilhou dela e foi tomar um banho frio. Minutos após ter iniciado o banho, ela adentrou no banheiro, tirou a roupa fora do box sem que ele notasse sua presença, e ao entrar o abraçou; ele estava de costas e de subido tomou um susto. Ela, absorta em seu mundo apenas disse:

sexta-feira, novembro 02, 2012

Os caminhos: Dor

Fazia frio naquela tarde e ele não queria se aquecer. Ironicamente ele já havia bebido quase toda uma garrafa de uísque. Só de olhar para o copo a sua frente já sentia novamente a queimação descendo garganta abaixo. "Eu quero morrer!" Foi o que ele gritou enquanto socava a janela a sua frente. Esta por sua vez estilhaçou-se em milhares de pedaços cortando seu agressor como resposta à sua arrogância. A brisa suave que entrava pelas falhas da janela, agora se tornara uma forte ventania que invadiu a sala jogando tudo que podia para longe. Todo seu trabalho espalhou-se pelo chão e ele deixou-se cair, de joelhos, sangrando, sem saber o motivo de tudo aquilo. Ele queria realmente morrer; seu sangramento não estancou e quando o tomou como relevante, pegou um pedaço dos restos da janela e começou a desenhar sobre o corte adquirido como se sua mão fosse uma obra de arte que precisava nervosamente ser concluída. Após alguns minutos ele começou a enxergar com dificuldade e percebeu então que iria desmaiar:

- Eu não quero morrer... Ei, onde está você sempre aparece nos meus piores momentos? Ajude-me...

sexta-feira, setembro 07, 2012

Os caminhos: Prelúdio

- ...é tarde, eu sei, mas preciso lhe contar o que está acontecendo. Não importa se você já sabe, eu preciso falar e você tem que me ouvir, é um assunto delicado. 
    - Prossiga.
- Nosso caminhos... Bem, não sei como abordar esse assunto, então simplesmente vou falar tudo de vez. Espero que me entenda e não guarde mágoas... - Ele é interrompido.
    - Isso é adeus? Não quer mais me ver? Diga logo e nunca mais aparecerei à você. Sempre desconfiei que você não gostasse de mim.

Dá-se início a uma transfiguração e o espírito começa a ficar translúcido, quase invisível. Neste momento ele respira fundo e tenta juntar forças para seguir; ele sabe que o assunto é delicado e agora que este contato com o espírito tornou-se parte fundamental de sua vida, ele não pode simplesmente cortar os laços criados durante todos aqueles anos e fortalecidos recentemente após aquela revelação. Com parcimônia ele continua:

- Não é o que você está pensando, eu sei que parece estranho, mas é um pedido que preciso lhe fazer. Preciso que nos tornemos um. Caso isso não ocorra, nossas escolhas nos levarão a caminhos totalmente divergentes e acabaremos... 
   - Acabaremos? FAALEE!!!
- Engraçado, você deveria saber, já que faz parte de mim. Mas, tudo bem, vou contar...

Até esse ponto da conversa, o espírito já voltara a ficar plenamente visível, ainda que apenas para ele, e pouco a pouco foi se aproximando. Se aproximou de tal forma que quando ele começou a recontar como deveriam se unir, ambos já estavam em um processo de fusão. Uma aura espectral envolveu-os e uma melodia divina encheu o ambiente ao redor. Percebendo que a união havia começado ele disse: 

- Não há o que contar, apenas sinta e nos tornaremos um. Diga sim e vamos trilhar novos caminhos. Seja  uma parte real em mim, pois eu já fiz nossas escolhas.
    - É bom aqui... Agora entendo por que estivemos separados...

Um grande clarão se deu no céu e na terra uma penumbra preencheu o lugar onde estiveram. A união se completou e eles deixaram de existir para dar lugar a um novo ser. E este, com uma voz firme e grave disse: 

- Enquanto pude me mantive vivo, mas, em dado momento eu cresci e isso não pude conter. A partir de agora as escolhas tornam-se caminhos a seguir e uma nova jornada há de iniciar-se. Que o fim comece!