quinta-feira, agosto 30, 2018

Sobre crescer na era da "informação."

Cinco anos se passaram desde a última postagem aqui, esbarrei aqui por acaso, talvez, mas ao reler escritos meus e do autor desse blog várias reflexões pairaram a minha mente inquieta, muita coisa mudou mas algumas permanecem as mesmas.
Ironia que a última postagem oficialmente publicada reflete a sociedade da alienação, não demorou muito tempo e o universo dos blogs por nós vivenciados há meia década atrás, hoje encontra-se em extinção, numa sociedade que se contenta com 1 minuto por informação audiovisual, em uma época onde os vídeos se sobressaíram as leituras de blogs, é preciso ter muito atrativo para manter um público cada vez mais imediatista.
Eu, saudosista como sou, sinto saudades da era dos blogs. E por muito tempo em minha adolescência este espaço foi o meu "infinito particular" como canta Marisa Monte, mas nem tão particular assim pois havia aqui uma porta entreaberta. Quem ousava adentrar relacionava-se verdadeiramente, não me importava views, nem likes, não havia nenhum outro reforço positivo no quase anonimato, além de ser eu mesma e de poder compartilhar  um pouco do meu eu.
Ao ler outros universos, aprendia com tudo aquilo que estava nas subjetividades, sejam elas quais fossem, e presente estava o lugar do imaginário, hoje tão escasso e por mim tão querido.
A única coisa que eu gostaria de ter descoberto nessa época era que a minha melancolia sempre presente nos textos nunca foi saudável, mas nem tudo seria perfeito há alguns anos atrás e alguns debates, por exemplo, o da relevância da saúde mental ainda não estava em ascensão.
Uma volta na cápsula do tempo, onde estávamos lidando com o crescer, imerso nas incoerências incompreendidas, a escuridão de adentrar o mundo das "pessoas grandes" ao mesmo tempo já era por si só desanimador, mas "em dado momento eu cresci e isso não pude conter..."
Retorno do futuro apenas para dizer que sobrevivemos este tempo, mas que em algum instante talvez, parte da juventude aqui registrada se perdeu  como consequência de escolhas feitas inconsciente e conscientemente, pois abster-se de uma escolha, também é escolher.
Não diria a eu mesma que "vai ficar tudo bem" mas que aquilo que via em parte, então pude enxergar completamente e que é preciso coragem para crescer, visto que esse processo nunca cessa. Vai doer e dói, mas também é libertador em muitos momentos, haverá solidão e alguns adeus inevitáveis, mas também chegadas surpreendentes.Se servir de conselho, as vezes se lembre de manter um espaço só seu, com uma porta entreaberta.


Um anjo crescido.

quarta-feira, fevereiro 19, 2014

A sociedade da alienação

Hoje cheguei à conclusão do que quase todos já sabemos, mas ignoramos. A alienação causada pela sociedade da informação mal administrada em nosso estado democrático. Sociedade da informação é um conglomerado de dogmas sobre os quais não temos certeza do que é certo ou errado segundo a prerrogativa de que todos tem acesso à informação, mas nem todos estão inseridos nela.

 Mas o que é real nisso tudo? Se te responder que “tudo é real”, neste âmbito, provavelmente me chamaria de louco, mas ponderemos; a sociedade da informação fica cada vez mais fortalecida pelo conceito de dimensão digital, onde o acesso à rede é quem dita o curso. Mesmo com o computador e internet sendo recentes, ainda assim existem conflitos de interpretação e muitas vezes a falha não está na informação que é transmitida, mas na forma como é interpretada pelo ouvinte.

É como disse Pessoa: “O universo não é ideia minha. A minha ideia do universo é que é ideia minha”. A alienação é culpa não da sociedade da informação, mas da cultura com a qual outrem foi dogmatizado e por mais que tentemos clarear essa escuridão, nada se desfaz da noite para o dia e convenhamos que é complicado competir onde a cultura boa tem menos espaço que cultura ruim. Exemplo disso são os programas socioeducativos financiados pelo Governo que são classificados como de primeira linha mundialmente, ocupando o topo dos melhores do gênero e, infelizmente, audiência zero, quando em contra partida os realities shows tem audiências monstruosas e um conteúdo tão deprimente que vemos a população aos prantos por “X” ou “Y” estarem no paredão.

Voltando à Pessoa, ele disse: “Metade de mim delira, metade de mim pondera”, e são poucos esses que o fazem, nós estamos delirando nesse caos e não esquecemos que a Internet foi o meio de comunicação que mais rapidamente se expandiu no mundo, mas também ouvimos falar a todo instante que muito pouca gente tem acesso a ela. Qual das duas informações é a correta? Em nosso cenário atual, ambas são corretas. Na sociedade da informação as noticiais são fragmentadas, não apenas porque ainda são poucos que tem acesso, mas devido aos vários meios que serão os transmissores da mesma.

Voltando à minha conclusão inicial, fiz algo idiota e egoísta, mas necessário para comprovar minha citação, removi minha data de aniversário das redes sociais, poucas semanas antes dela chegar. Para que fim? Exemplificar a alienação que nos torna reféns de ferramentas que podem falhar, e sempre falham.

Sete pessoas, incluindo minha mãe e dois irmãos, lembraram-se da data. Vivemos reféns do irreal. Hoje faço 24 anos e ainda tenho muitos HDs de história pela frente. 

Em breve explicarei essa historia de HDs.
Estou de volta!

sábado, fevereiro 23, 2013

Finja na hora rir


Arrepender-se é um dos sentimentos mais difíceis de ser assumido, dói na alma, trás a sensação de querer voltar no tempo e fazer tudo diferente, mas é absolutamente impossível e até mesmo desnecessário. 
Lidar com consequências e seguir em frente é o que temos que obrigatoriamente fazer todo o tempo se quisermos continuar crescendo. 

Mas, e quando seus medos te paralisam? E quando você comete um erro por cima de outro erro? E quando você se sente sozinho?
O mesmo imperativo de persistência grita de todos os lados, mesmo que tudo que você queira seja desistir.
As boas intenções nos subestimam, nós não nos reconhecemos, exigem que sejamos quem éramos e não quem estamos sendo. 
E quando a dor não tem palavras?  E quando você não consegue explicar o que está acontecendo com você? E quando você percebe que nunca esteve preparado para nada disso?
O mundo não se importa, você precisa vestir um belo sorriso no rosto todos os dias; cuidado ao mudar o figurino.

Ser otimista está na moda e negar as suas maiores fraquezas é a última tendência. 







quinta-feira, janeiro 03, 2013

"... e se perdeu em prantos tentando encontrar o amor que outrora teve medo de buscar. Ela partiu e ele ficou ali, em um fim de verão  frio, com as folhas secas aos seus pés..." I.C.A.

domingo, dezembro 30, 2012

Os caminhos: Amanhecer

Ela não conseguiu dormir, não como pretendia, ficou ali, agarrada à ele sem saber se deveria acordá-lo ou não. Realmente não estava gostando da situação. Fato que deixou claro quando se levantou diversas vezes esperando que ele acordasse por si, mas não acordou. Ela já estava cansada de ficar esperando e na agonia do "chamo - não chamo" ela acabou adormecendo também.

Já era manhã quando ele despertou. Viu ela ali, aninhada em seus braços e a única coisa que lhe veio a cabeça foi: Obrigado por estar aqui. Como se fosse ironia, ele não queria acorda-la, e não o fez. Se desvencilhou dela e foi tomar um banho frio. Minutos após ter iniciado o banho, ela adentrou no banheiro, tirou a roupa fora do box sem que ele notasse sua presença, e ao entrar o abraçou; ele estava de costas e de subido tomou um susto. Ela, absorta em seu mundo apenas disse:

sexta-feira, novembro 02, 2012

Os caminhos: Dor

Fazia frio naquela tarde e ele não queria se aquecer. Ironicamente ele já havia bebido quase toda uma garrafa de uísque. Só de olhar para o copo a sua frente já sentia novamente a queimação descendo garganta abaixo. "Eu quero morrer!" Foi o que ele gritou enquanto socava a janela a sua frente. Esta por sua vez estilhaçou-se em milhares de pedaços cortando seu agressor como resposta à sua arrogância. A brisa suave que entrava pelas falhas da janela, agora se tornara uma forte ventania que invadiu a sala jogando tudo que podia para longe. Todo seu trabalho espalhou-se pelo chão e ele deixou-se cair, de joelhos, sangrando, sem saber o motivo de tudo aquilo. Ele queria realmente morrer; seu sangramento não estancou e quando o tomou como relevante, pegou um pedaço dos restos da janela e começou a desenhar sobre o corte adquirido como se sua mão fosse uma obra de arte que precisava nervosamente ser concluída. Após alguns minutos ele começou a enxergar com dificuldade e percebeu então que iria desmaiar:

- Eu não quero morrer... Ei, onde está você sempre aparece nos meus piores momentos? Ajude-me...